sábado, janeiro 06, 2007

Mapa Celorico de Basto

O concelho de Celorico de Basto pertence ao distrito de Braga, à Comunidade Urbana do Tâmega e constitui, juntamente com os concelhos vizinhos de Mondim de Basto, Cabeceiras de Basto e Ribeira de Pena, a muito antiga e característica área conhecida por Terras de Basto.

Celorico de Basto está rodeado por cadeias montanhosas, das quais se destacam o Marão, o Alvão e a Cabreira. Tem no pico do Viso (freguesia de Caçarilhe) o ponto mais elevado, a 856 m de altitude. Com um relevo acidentado, apresenta vastas áreas planálticas alternando com vales estreitos e alongados que descem até ao rio Tâmega.
O concelho de Celorico de Basto apresenta uma área geográfica de 118,1 Km2 e uma população que ronda os 22 mil habitantes, distribuídos por 22 freguesias.


Paisagisticamente Celorico encanta! Quem souber apreciar a beleza e os encantos da natureza jamais esquecerá a visita a Celorico de Basto.

António Senra (SANER)

Nasceu a 21 de Setembro de 1913 no seio de uma família humilde, na freguesia de Refojos, concelho de Cabeceiras de Basto.
Aí deu início aos seus estudos, concluindo a antiga 4ª classe com média de 18 valores.
Por opção própria abandonou os estudos, criando o seu próprio trajecto de vida, lendo incessantemente e querendo ir mais além.
Era músico (tocava clarinete na Banda Filarmónica de Cabeceiras de Basto), compunha músicas populares, pintava quadros e telas a óleo em várias casas solarengas, sendo também um poeta sentimentalista que exaltava, acima de tudo, o sagrado e a mocidade.
Em 1945 casou com Sofia Pereira de Magalhães, também natural do concelho de Cabeceiras de Basto, tendo vivido feliz na sua companhia.
Teve dois filhos do seu matrimónio: Celestino Magalhães Senra e Laura Gabriela Magalhães Senra.
Escreveu uma peça de teatro “Até aqui Basto eu” sendo levada à cena no Teatro do Mosteiro de Refojos em Cabeceiras de Basto.
Era empregado de escritório e contabilista na Caves Campo em Cabeceiras de Basto, que ficava nas imediações do Mosteiro de Refojos tendo, em 1959, sido transferido para Celorico de Basto, continuando a trabalhar para a distinta família Meireles.
Nesse ano, hospedou-se na Pensão Adelina a fim de restabelecer a sua vida nesta terra em companhia da sua família, tendo mais tarde vivido em Santa Luzia, lugar do Monte, onde permaneceu até 1985.
Em Celorico de Basto continuou a ser um ilustre poeta e pintor, tendo escrito inúmeros artigos e a famosa “Gazetilha”, publicação quinzenal para o jornal Notícias de Basto, mantendo também a sua veia musical ao integrar-se na Banda Filarmónica de Tecla.
Nessa altura, escreveu e realizou uma peça de teatro levada à cena no Salão dos Bombeiros Voluntários Celoricenses.
Em 1972, pintou um afresco no Café Central ilustrando o Castelo de Arnoia.
Ouvimos diversas pessoas que conviveram directamente com António Senra, eu próprio tive o privilégio de o ter conhecido, e este Homem, este Poeta popular, sentia-se um Celoricense de alma e coração.
Deixou em testamento à terra a obra “A MUSA SERRANA” que nunca chegou a ser publicada. Sabemos que os seus familiares tentam recuperar este trabalho, para que possa ser publicado e o seu nome não caia no esquecimento.
António Senra foi um auto-didacta que procurou incessantemente a sabedoria e que nos seus tempos livres se refugiava na leitura, amava as letras, a História…
Instruía-se cada vez mais, possuindo um dom da palavra capaz de conquistar todos aqueles que o ouviam. Era um exemplo de inteligência e de auto-construção intelectual!
Em 7 de Junho de 1985 entra de urgência no Hospital de Sto. António no Porto e com 71 anos de idade, veio a falecer no dia 27 de Junho de 1985.
Transcrevemos um depoimento da sua neta Cláudia Senra

MEU QUERIDO AVÔ:
A sua morte ceifou em mim a possibilidade de o ter adorado e de sentir a sua reconfortante presença!
Não fui digna de contemplar o seu olhar azul celeste e o seu rosto empalidecido, ambos marcados pelo tempo e pela vida!
Não tive o privilégio de ter alimentado minh’ alma com a sua admirável sabedoria!
Não tive o mérito de poder afagar as suas mãos e animá-las com o calor das minhas!
Não embriaguei minh’alma com os seus sábios conselhos, com a sua rectidão!
A ausência da sua presença física não me impede, porém, de o louvar cada vez mais! Arquétipo de humildade! Um lutador que construiu nos seus sonhos a sua sabedoria!
Nutro imenso louvor por si, meu querido avô!
Um beijo afectuoso da sua neta Cláudia

sábado, dezembro 23, 2006

Boas Festas

Bom Natal


Homens ! Mais um Natal de Deus, Natal d’amor,
Em breve surgirá no nosso Portugal:
Haja harmonia e paz, sentido fraternal,
Que até à data só há guerras e há rancor.

Que nessa Ceia amena, Ceia do Senhor,
Vós mediteis melhor em prol d’um ideal
Onde no mesmo, e sem ódios, afinal,
Lá ides encontrar perdão do Redentor.

No vosso lar erguei presépios d’alegria,
E que nos mesmos conste o filho de Maria;
- Lindo bambino e Rei que a nossa dor acalma.



Assim na vossa casa e na lauta mesa,
Tereis Natal feliz – e sempre a chama acesa,
- Chama que vem do céu e aquece a nossa alma !

Conto de Natal de António Senra, in “Noticias de Basto” de 20/12/1969

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Vestígio Arqueológico

Descoberta de estela antropomórfica pré-histórica
No dia 1 de Abril de 2006 desenvolveram-se trabalhos relativos ao registo de um importantíssimo vestígio arqueológico em Celorico de Basto: uma estela-ídolo pré-histórica.
Foi descoberta casualmente em 2004 no denominado Crasto de Barrega, na freguesia de Borba da Montanha (num povoado já identificado no início dos anos 90), por um morador da vizinha freguesia de Carvalho.
O autor da descoberta descreveu-a como “…uma pedra redonda com uma espécie de mãozinhas desenhadas…”. A verificação e confirmação foram feitas no final de 2005 por Jorge Sampaio (responsável pela Carta Arqueológica concelhia) e Pedro Gonçalves (colaborador e responsável pelo inventário na área de História e Património Construído), no decurso de recolhas orais feitas no âmbito daquele projecto.
Este tipo de vestígio constitui um exemplar de arte escultórica pré-histórica e a sua cronologia remete para o Calcolítico final ou início da Idade do Bronze (entre o III e o II milénio antes de Cristo). Distribui-se um pouco por todo o território peninsular, concentrando-se, depois, por grupos bem definidos, observando-se, no caso concreto, fortes semelhanças (ao nível decorativo e morfológico) com os denominados ídolos clássicos, identificados na região central da Meseta ocidental, entre Salamanca e Cáceres (“grupo Hurdes-Gata”). Em Portugal encontram-se paralelos em Moncorvo (Trás-os-Montes), Guarda (Beira Alta) e Crato (Alentejo), sendo o 1º grupo aquele que mais se aproxima.
Trata-se de um bloco de morfologia oval, polido, onde foi produzida, por incisão, uma figuração antropomórfica representando a cabeça: olhos, nariz e boca; as mãos e braços; e elementos de adorno (colares). A função e significado deste tipo de vestígios têm sido associados a uma função ritual funerária, a qual não está de todo clarificada.
Jorge Sampaio, o responsável pelo estudo da peça, refere que: “este é um achado importantíssimo não só pela pouca frequência com que aparecem, como pelo facto de se conhecer o local exacto onde estava originalmente (um povoado da Pré-História recente). Este achado vem, ainda, reforçar o estudo e consequente conhecimento das manifestações artísticas das comunidades pré-históricas da parte ocidental da península ibérica”.Os trabalhos relativos ao registo (desenho e fotografia) do referido vestígio foram levados a cabo pelos arqueólogos Rosa Jardim e Bruno Figueira.

Texto baseado no trabalho do Arqueólogo Jorge Sampaio.

sábado, novembro 25, 2006

Feira de Santa Catarina

A Feira Anual de Santa Catarina realiza-se nos dias 25 e 26 de Novembro na Vila de Celorico de Basto.
Santa Catarina de Alexandria (festa em 25 de Novembro), nasceu e viveu na Alexandria no início do século IV.
As feiras e romarias tiveram desde os tempos mais remotos grande importância económico-mercantil na comunidade local.
Como refere a obra “Descripção de Basto” «em 1343 creio que já alli era a Vila, (do Castello de Celorico de Basto) porque alli se faziam umas grandes feiras annuaes, que principiavam no ultimo de Janeiro, de que fallão as inquirições de el-rei D. Affonso IV, e é de presumir que fosse então a cabeça do concelho.» e prossegue «Creio, porém, que primeiramente a cabeça do concelho e Villa de Basto era no logar que actualmente se chama Chello, porque o nome, com pequena alteração, é da antiga cidade que já disse havia em Celorico, e também porque alli ha um sitio chamado a Feira, aonde parece que tiveram assento primeiro as feiras do castello, acima ditas, o que indica ter sido cabeça do concelho
A grande Feira Anual de Santa Catarina (Feira Franca de Gado) durante décadas teve grandes concursos pecuários subsidiados pelo Grémio de Lavoura e Câmara Municipal, sendo o dia 25 dedicado ao gado bovino de raça barrosã e maronesa, enquanto o dia 26 era destinado ao gado suíno, sem distinção de raças mas com as secções de varrascos, porcas criadeiras, porcos ou porcas de quatro meses a um ano de idade e porcos gordos.
No largo da feira (onde foi construído o edifício do Palácio da Justiça) foi instalada, em 1955, uma magnifica balança para pesagem do gado.
Dia de feira ou de romaria era, e ainda é, dia de convívio à volta de um copo de vinho verde acompanhado pelas sardinhas grandes a pingar na b’roa de milho.
Não há feira rural, em especial feira de gado, sem o seu lado festivo. Em dia de feira compra-se, vende-se e sabem-se novidades.
A feira anual continua a ser o ponto de encontro por excelência da comunidade.
As colheitas estão feitas, começa a pensar-se no novo ano agrícola, interessa comprar e vender sim, mas também apreciar, comparar, aprender e ensinar nesse grande mostruário que é a feira.
Nos últimos anos o concurso pecuário, das raças frísia, galega, barrosã e maronesa, só para criadores do concelho, realiza-se durante a manhã do dia 26 de Novembro.
Marcam sempre presença as roulotes das farturas, a pista dos carrinhos eléctricos, os carrosséis, tendas e estendais de bugigangas, de tudo se pode comprar nesta feira que actualmente decorre na zona envolvente ao Mercado Municipal.

A Vila, neste momento,
Apresenta um ar festivo,
O seu ambiente é atractivo,
Aumenta o seu movimento;
Pela sua Feira Grande
Que anualmente aqui faz.
- E que vantagens lhe traz,
seu nome mais longe expande.

Abre o curral, tira o gado,
Veste o fato domingueiro,
E ei-lo todo festeiro
Para o local destinado.
- P'ra, na feira, comparecer
Percorre longo percurso
Pois sabe que há um concurso
Por isso... vem concorrer.

Negócios... todos bem feitos;
os vendedores ambulantes
e os locais comerciantes
não s'tavam mal satisfeitos.
- Consta que uns tais «viajantes»
que tiram do bolso a massa
fizeram ali sua praça
sendo os melhores feirantes.

Por Evélio, in Notícias de Basto, 1954

sábado, novembro 18, 2006

O Castelo da Terra de Basto

“O Castelo da Terra de Basto mais velho que a nacionalidade” trata-se de uma notável comunicação que o distinto arqueólogo C. da Cunha Coutinho apresentou na Associação dos Arqueólogos Portugueses em 1942.
Carlos Cândido de Melo e Faro da Cunha Coutinho, nasceu nas Casas Novas em Santa Marinha do Zêzere (29/03/1885 – 29/03/1949), Engenheiro Agrónomo pela Universidade de Lovaina (Bélgica), doutor em Ciências Agronómicas pela Escola Superior de Agricultura de Portici (Itália) e licenciado em Ciências Histórico-Naturais pela Universidade de Lisboa.
Foi senhor, entre outras, da Casa de Travassinhos, em Cruz de Baixo, freguesia de Arnoia, concelho de Celorico de Basto, que actualmente pertence à sua filha D. Maria Emília Guedes de Andrade da Cunha Coutinho.
Em meados do século XX, o Castelo de Arnoia foi classificado como Monumento Nacional por Decreto nº 35532, de 15 de Março de 1946.


Actualmente, afecto ao Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) que lhe concluiu obras de consolidação e restauro, o Monumento reabriu ao público desde Janeiro de 2004.
Para consultar o trabalho completo de C. da Cunha Coutinho clique aqui (0.854 MB)

Para ver esta foto em maior resolução (3588x2403) clique aqui (2,15 MB)