

Ficheiros PDF: Celorico e Mondim










Nasceu a 21 de Setembro de 1913 no seio de uma família humilde, na freguesia de Refojos, concelho de Cabeceiras de Basto.
Em Celorico de Basto continuou a ser um ilustre poeta e pintor, tendo escrito inúmeros artigos e a famosa “Gazetilha”, publicação quinzenal para o jornal Notícias de Basto, mantendo também a sua veia musical ao integrar-se na Banda Filarmónica de Tecla.
Transcrevemos um depoimento da sua neta Cláudia Senra
Homens ! Mais um Natal de Deus, Natal d’amor,
Em breve surgirá no nosso Portugal:
Haja harmonia e paz, sentido fraternal,
Que até à data só há guerras e há rancor.

Que nessa Ceia amena, Ceia do Senhor,
Vós mediteis melhor em prol d’um ideal
Onde no mesmo, e sem ódios, afinal,
Lá ides encontrar perdão do Redentor.

No vosso lar erguei presépios d’alegria,
E que nos mesmos conste o filho de Maria;
- Lindo bambino e Rei que a nossa dor acalma.
Assim na vossa casa e na lauta mesa,
Tereis Natal feliz – e sempre a chama acesa,
- Chama que vem do céu e aquece a nossa alma !
Conto de Natal de António Senra, in “Noticias de Basto” de 20/12/1969
No dia 1 de Abril de 2006 desenvolveram-se trabalhos relativos ao registo de um importantíssimo vestígio arqueológico em Celorico de Basto: uma estela-ídolo pré-histórica.
Este tipo de vestígio constitui um exemplar de arte escultórica pré-histórica e a sua cronologia remete para o Calcolítico final ou início da Idade do Bronze (entre o III e o II milénio antes de Cristo). Distribui-se um pouco por todo o território peninsular, concentrando-se, depois, por grupos bem definidos, observando-se, no caso concreto, fortes semelhanças (ao nível decorativo e morfológico) com os denominados ídolos clássicos, identificados na região central da Meseta ocidental, entre Salamanca e Cáceres (“grupo Hurdes-Gata”). Em Portugal encontram-se paralelos em Moncorvo (Trás-os-Montes), Guarda (Beira Alta) e Crato (Alentejo), sendo o 1º grupo aquele que mais se aproxima.
Trata-se de um bloco de morfologia oval, polido, onde foi produzida, por incisão, uma figuração antropomórfica representando a cabeça: olhos, nariz e boca; as mãos e braços; e elementos de adorno (colares). A função e significado deste tipo de vestígios têm sido associados a uma função ritual funerária, a qual não está de todo clarificada.
Os trabalhos relativos ao registo (desenho e fotografia) do referido vestígio foram levados a cabo pelos arqueólogos Rosa Jardim e Bruno Figueira.