sábado, dezembro 01, 2007

José do Telhado

Relato de um assalto em Celorico de Basto
Na noite de 8 de Abril de 1852, por volta da meia-noite, a quadrilha do José do Telhado assaltou a casa do lavrador Domingos Gonçalves Camelo que vivia na companhia de sua mulher Maria Francisca no lugar de Paradela, freguesia de Fervença, concelho de Celorico de Basto.
Constava que Domingos Camelo recebeu uma herança de um familiar afastado e guardou o dinheiro nas suas casas, que podia ser na casa de habitação, ou nos anexos, lojas, lagares ou armazéns, muito bem escondido e até diziam que os ladrões podiam procurar por todo o lado, que não dariam com os valores.
Para além do comandante José do Telhado faziam ainda parte da quadrilha, o Pichorra, o Glórias, o José Pequeno, o António Morgado, outro Morgado; estes dois últimos, para não serem reconhecidos e mais outros dois ficaram no exterior da propriedade.
O José do Telhado resolveu assaltar a casa, talvez atraído pela tal herança que constava ter recebido.
“Um deles subiu por cima de uma dessas ditas casas entrou ao seu curral e depois abriu o seu portal para onde entraram os mais…”
Depois de atravessarem o terreiro, arrombaram a fechadura da porta, sem que os donos da casa acordassem.
Entraram pela cozinha, passaram à sala, para onde dava a porta do quarto de dormir.
Os salteadores, dois de cada lado, abeiraram-se da cama e o casal foi acordado por estes vultos tenebrosos.
- Quem está aí? – terá perguntado Domingos Camelo.
- Não se mexa e diga onde está o dinheiro. Já! – ameaçou o Pichorra apontando-lhe uma pistola.
Enquanto pode lá foi resistindo, até que os salteadores levaram um para cada lado, e usando a força de forma violenta, à coronhada pela cabeça e pelas costelas, iam ameaçando: “Confessa, senão mato-te!”
Segundo as declarações das testemunhas do Auto, houve recurso ao disparo de vários tiros para o ar, provavelmente para intimidar este casal de lavradores.
- Entregamos tudo, mas não nos façam mal – disse resignado Domingos Camelo.
- Vamos a isso – respondeu José do Telhado.
- O dinheiro e o ouro está nas gavetas e numa lata debaixo da cama.
De imediato abriram as gavetas das mesas e da cómoda e retiraram a lata debaixo da cama.
Deste assalto resultou, além do dinheiro que totalizada cerca de 150$000 (cento e cinquenta mil réis), três fios de contas de ouro (no valor de nove mil réis), quatro laços de ouro, três pares de brincos de ouro, um cordão de ouro, dois capotes de panos novos, doze lençóis de pano de linho e um lote de pano fino novo.
Este assalto andou na boca do povo por muito tempo, devido à graçola que José do Telhado, ao ver Maria Francisca a choramingar, inconsolada pelos haveres que acabava de perder, disse “não se rale, mulher! De que lhe serve o dinheiro, se não pode comprar com ele uma cara mais nova e menos feia!”

José do Telhado alcunha de José Teixeira da Silva, assim se chamava porque a casa onde vivia com os pais e irmãos, em Castelões de Recezinhos, pertencente na altura ao extinto concelho de Santa Cruz de Riba Tâmega (actualmente pertencente ao de Penafiel) era coberta de telha, uma novidade naquele tempo, pois a maioria das casas eram ainda cobertas com colmo (palha de centeio).
Nasceu em 22 de Junho de 1818, filho de um capitão de ladrões e no seio de uma família onde extorquir o alheio era actividade de raízes fundadas.
Foi um famoso salteador português do século dezanove e era chefe da quadrilha mais famosa do Marão.
Foi perseguido pelas autoridades e mais tarde preso na Cadeia da Relação, quando tentava fugir para o Brasil.
Posteriormente foi condenado ao degredo em África. Em Malange, onde vivia fez-se negociante de borracha, cera e marfim.
Morreu de varíola em 1875, com 57 anos de idade.
José do Telhado «ele mesmo se intitulava – e assim o declarou no julgamento – “repartidor público”, isto é, alguém que tirava aos ricos para dar aos pobres.»
Mapa que mostra o raio de acção da quadrilha

sábado, novembro 03, 2007

Marcha de Celorico


Marcha de Celorico de Basto


Ó Celorico!... Meu devir e meu direito,
Berço de sol a transbordar de pão e vinho.
Danças de roda ao corropio em cada peito,
Ou com saudade, ou com orgulho, ou com carinho.

O teu castelo, sobranceiro e aguerrido
Geme dolente nas ameias destroçadas,
Trovas antigas de um romance, entretecido
De homens valente e de mouras encantadas.

Celorico! Celorico!
Uma choupana e um solar.
Celorico! Celorico!
Tâmega, ao fundo, a soluçar.
Celorico! Celorico!
Gente cantando a trabalhar.
Celorico! Celorico!
Para partir... e regressar.

Brancas ermidas nos montes alcandoradas.
Lendas. Milagres. Um cenário multicor.
Verdes colinas e pinhais. Veigas douradas.
Por toda a parte um bom sorriso acolhedor.

Ó terra amiga, nobre, franca, hospitaleira;
Vila risonha deste Minho encantador;
Eu quero amar-te, amar-te, amar-te a vida inteira,
Depois morrer amortalhado nesse amor.

Celorico! Celorico!
Uma choupana e um solar.
Celorico! Celorico!
Tâmega ao fundo a soluçar.
Celorico! Celorico!
Gente cantando a trabalhar.
Celorico! Celorico!
Para partir e regressar.


Outra versão


Ó Celorico minha terra és por direito
Uma medalha, um filigrana, um coração
Que Portugal traz a bater dentro do peito
E nós amamos com amor e adoração

O teu castelo sobranceiro e sonhador
Armas valentes nas ameias destroçadas
Trovas antigas dum romance embalador
Homens valentes e de mouras encantadas

Refrão
Celorico, Celorico, uma choupana e um solar
Celorico, Celorico, Tâmega ao fundo a soluçar
Celorico, Celorico, gente cantando a trabalhar
Celorico, Celorico, terra linda de encantar

Brancas ermidas nos montes alpendoradas
Contos e fadas de um cenário multicor
Verdes colinas, pinheirais, veigas douradas
Em toda a parte um sorriso acolhedor

Ó terra amiga, nobre, franca, hospitaleira
Vila risonha deste Minho encantador
Eu quero amar-te, amar-te, amar-te a vida inteira
Por fim morrer amortalhado nesse amor

Refrão
Celorico, Celorico, uma choupana e um solar
Celorico, Celorico, Tâmega ao fundo a soluçar
Celorico, Celorico, gente cantando a trabalhar
Celorico, Celorico, terra linda de encantar

segunda-feira, outubro 29, 2007

Brasão e Bandeira

Brasão, Selo e Bandeira de Celorico de Basto

A ordenação heráldica do brasão, selo e bandeira do concelho de Celorico de Basto, foi publicada por portaria no Diário do Governo, II Série, número 44, de 24 de Fevereiro de 1948, com despacho do então Ministro do Interior, Dr. Augusto Cancela de Abreu, a solicitação da Câmara Municipal e considerado o parecer da Comissão de Heráldica e Geneologia da Associação dos Arqueólogos Portugueses.

Armas - Escudo de prata com um castelo de negro, entre dois cachos de uvas de púrpura, folhados de verde, contra-chefe ondado de azul e prata de três peças. Coroa mural de prata de quatro torres e por baixo listel branco com os dizeres "CELORICO DE BASTO" em caracteres negros.




Selo - É redondo, com peças de escudo soltas e sem indicação de esmaltes, entre círculos concêntricos, a legenda "Câmara Municipal de Celorico de Basto".

Bandeira - Esquartelada de branco e negro, tendo ao centro o escudo das armas. Haste e lança são douradas, com borlas e cordões de prata e negro.


Bandeira para hastear em edifícios
Estandarte para cerimónias e cortejos











domingo, outubro 07, 2007

Francisco Soares Basto

Francisco Alves Soares Basto era filho de Manuel Joaquim Alves Soares, profissional de jardinagem, casado com Teresa Soares de Jesus, ambos naturais e residentes na freguesia de S. Romão do Corgo, concelho de Celorico de Basto.

Ainda jovem emigrou para o Brasil e como comerciante construiu uma fortuna.
Regressado a Portugal, solteiro, capitalista e proprietário, viveu os seus últimos anos em Fermil de Basto, freguesia de Veade.

Em 27 de Janeiro de 1917, Francisco Alves Soares Basto assistiu à inauguração e ao funcionamento da 16ª missão Escola Móvel Agrícola “Maria Cristina” na Vila de Celorico de Basto, com grande expressão, onde o Dr. Bento de Sousa Carqueja, na sua qualidade de proprietário e director do jornal diário “O Comércio do Porto” e da revista “Lavrador”, esclareceu as vantagens e as conveniências da divulgação do ensino agrícola.

Com estas acções de divulgação da Escola Móvel Agrícola, que tanta repercussão tiveram no país no sector educativo da agricultura, não admira que Soares Basto tenha acentuado mais a sua relação de amizade e admiração por Bento Carqueja, perante a confiança e prestígio atribuídos ao director do jornal, quer pelos seus actos de beneficência, quer pelo seu cargo que desempenhava na vida económica e cultural portuense.
Agradavelmente impressionado com o que se passou nesta cerimónia de abertura, redigiu alguns meses depois, em 5 de Julho de 1917, o seu testamento, nomeando seu testamenteiro o jornal “O Comércio do Porto” do qual publicamos as suas disposições:


TESTAMENTO
Eu, Francisco Alves Soares Basto, solteiro, maior, capitalista e proprietário, morador no lugar de Fermil, freguesia de Veade, da comarca de Celorico de Basto, podendo dispor livremente dos meus bens, faço o meu testamento da forma seguinte: Determino que se cumpram e satisfaçam com a maior exactidão os legados seguintes: 1° - Deixo a cada um dos meus 4 irmãos quinhentos escudos em usufruto, revertendo por morte deles e em plena propriedade e usufruto à Escola de S. Romão do Corgo, sendo esses juros, 100 escudos, para a compra de livros e o mais que for preciso para os meninos. Os meus irmãos são Emília, Senhorinha, Maria e Joaquim. 2° - Deixo o suficiente para montar uma cantina em Fermil para cinquenta ou cem crianças e dar-lhes os competentes livros e o mais que for preciso; também desejava que viesse a água para Fermil que já está comprada pela Câmara no Monte de S. Caetano.
3° - Deixo para o meu enterro, se morrer aqui, o seguinte: não quero ofícios; quero que o padre me tire de casa e me leve à igreja e diga uma missa de corpo presente, acompanhado dos pobres da freguesia que ganharão, o padre 5 escudos e os pobres 50 reis, 5 centavos geral. - Desejo ser enterrado em jazigo perpétuo, só para mim. Deixo um conto de reis, mil escudos, ao "Comércio do Porto", para distribuir por diversas Instituições de Instrução, à vontade dele.
Depois de ver os bens aqui, ou onde estiver, e cumprindo as minhas verbas testamentárias principalmente a 1ª e a 2ª, o meu testamenteiro pode dispor do remanescente dos meus bens como entender, mas sempre pela Instrução. Deixo o meu relógio de ouro de bolso ao meu amigo Serafim M. Pinto de Canedo e o meu anel de brilhante ao Sr. Cunha de Fermil. Nomeio meu testamenteiro, para todos os efeitos, o jornal "O Comércio do Porto", ou os seus representantes, moradores na cidade do Porto, à rua do "Comércio do Porto", 108.


Falecido em Celorico de Basto em 13 de Setembro de 1917, foi aceite a testamentaria, visto o finado não contemplar o testamenteiro com qualquer legado, e tratar-se de disposições de manifesto alcance geral.

Ao dar-se execução à testamentaria, foi movida uma acção judicial para anulação do testamento, tendo-a acompanhado a direcção de “O Comércio do Porto” nas diversas instâncias, até ao Supremo Tribunal de Justiça, cujo acórdão foi proferido a 30 de Julho de 1920.

Da herança resultou 121.511$79 (Cento e vinte e um mil quinhentos e onze escudos e setenta e nove centavos) que em cumprimento da vontade expressa de Soares Basto, resultou:
-Criação do fundo para a Cantina Escolar de Fermil, entregando-se à Câmara Municipal de Celorico de Basto a importância de 34.500$00 em inscrições;
-Canalização da água municipal do Monte de S. Caetano para Fermil, distribuída por dois fontanários que, ainda existem hoje, um no Largo do Barão e outro no Largo Soares Basto (fundo da feira);
-Distribuição de um conto de réis, mil escudos, por diversas instituições de Instrução;
-Com a utilização do valor remanescente, sempre no domínio da educação e da instrução, construiu-se um edifício para uma Escola de Artes e Ofícios na freguesia de Palmaz, concelho de Oliveira de Azeméis (terra natal de Bento Carqueja) o qual importou em 18.694$47 e em homenagem a Francisco Alves Soares Basto, foi-lhe atribuído o seu nome, acto que mereceu a oficialização da mesma após a doação do edifício ao estado.
O Decreto nº 9736 de 28 de Maio de 1924, ordena no seu art. 1º, a criação em Oliveira de Azeméis de uma escola de artes e ofícios, que enquanto não puder ser instalada na sede do Concelho, em edifício que virá a ser doado ao Estado pelo jornal “ O Comércio do Porto “, ficará alojada no edifício construído pelo mesmo jornal na freguesia de Palmaz, doado ao Estado para este fim e ao qual não poderá ser dado outro destino.
No preâmbulo do decreto, refere a benemerência de Soares Basto, registando ainda que na sua origem esteve uma proposta de Nuno Simões, Ministro do Comércio e Comunicações, sob cuja tutela se encontrava a Direcção Geral do Ensino Comercial e Industrial.
Já em 29 de Agosto de 1924, a Portaria nº 4182 na edição do Diário do Governo é publicado “ tendo em atenção que foi a benemérita doação dos bens do falecido capitalista Francisco Alves Soares Basto que permitiu ao jornal Comércio do Porto a construção, em Palmaz, Oliveira de Azeméis, do edifício escolar onde vai ser instalada a escola de carpintaria, serralharia e trabalhos femininos, que deverá ter a sua sede naquela vila quando ali for construído edifício próprio pelo mesmo jornal, manda o Governo da República, que a escola se denomine Escola de Artes e Ofícios de Soares Basto”.
Actualmente, e desde 1998, a designação é de Escola Secundária Soares Basto.

Francisco Alves Soares Basto foi um grande benemérito, a sua memória merece ser sempre recordada para que as novas gerações não esqueçam os benefícios que legou , nomeadamente a Fermil de Basto.
E apesar do Largo do fundo da Feira ser conhecido, por alguns, como o Largo Soares Basto, urge, mesmo depois de 90 anos passados sobre a sua morte promover um acto público, não deixando cair no esquecimento e assim perpetuar o nome do Celoricense Soares Basto.

segunda-feira, setembro 03, 2007

Casa de Travassinhos

A Casa de Travassinhos, uma construção dos finais do século XVII e princípios do século XVIII, no lugar da Cruz de Baixo, freguesia de Arnóia, tem um portal senhorial dos mais imponentes do país, com uma pedra de armas que mede aproximadamente sete metros quadrados.
Jerónimo Pimenta Ramos foi sucessor e o impulsionador da traça desta casa senhorial. Nasceu em S. João de Arnóia, Celorico de Basto, onde foi baptizado a 11.02.1695 era filho de António Pimenta Ramos, que foi senhor da Casa de Travassinhos e de sua mulher D. Maria Gonçalves Ribeiro senhora da Quinta de Cerqueda. Casou a 23.09.1738 com D. Margarida de Faria e Magalhães, natural de Braga, era filha de João Gomes Ribeiro, vereador da Câmara de Braga, natural da freguesia de S. Miguel de Carvalho, Celorico de Basto e de sua mulher D. Maria de Faria e Magalhães da Casa de Gondivau, em Moure, Vila Verde.
Jerónimo Pimenta Ramos, familiar do Santo Ofício por carta de 09.01.1731, edificou a Capela dedicada a Santo António, “que está junto às Casas de Travassinhos” segundo o jornal “A Palavra” edição de 3 de Março de 1882, tendo justificado a sua nobreza, obteve brasão de armas dos Pimentas Ramos, cuja carta tem a data de 08.03.1747. Jerónimo de Pimenta Ramos faleceu a 19.12.1765 e a sua mulher D. Margarida Gonçalves Ribeiro em 20.07.1786.
Do seu casamento teve sete filhos, e foi a sua filha Margarida Clara Pimenta Ramos de Faria e Magalhães, nascida a 19.01.1748, que veio a casar na Capela da Casa de Travassinhos a 22.07.1772 com Francisco Lopes Picado Coutinho da Cunha, nascido em 11.03.1734 na Casa de Arnóia, Celorico de Basto, e que foi seu sucessor.
Assim se uniram as duas casas, a de Travassinhos e a de Arnóia e resultante do casamento, o casal teve sete filhos.
Foi o seu filho mais novo, Salvador Francisco da Cunha Coutinho de Faria Magalhães, nascido na casa de Arnóia em 10.03.1788 que veio a ser o sucessor das casas de Arnóia e de Travassinhos.
Seguiu a carreira das armas, tomou parte na Guerra Peninsular, foi galardoado com a Medalha de Ouro das Cinco Campanhas Peninsulares. Foi Fidalgo-Cavaleiro da Casa Real.
Em 25.02.1823 casou em Santa Marta de Penaguião com D. Brizida Amália de Azevedo, filha mais nova do grande proprietário e senhor da Quinta da Santa Comba, António Rodrigues de Azevedo, e de sua mulher D. Ana Dinis. Foi efémero o casamento, pois em 11.04.1826 já estava viúvo por acidente puerperal de D. Brizida.
Salvador Faria Magalhães morreu tragicamente como Coronel, Comandante da Coluna Miguelista de S. Cosme, no assalto aos sitiados do Porto em 29.09.1832 (Cerco do Porto), deixando seu único filho Francisco com 6 anos de idade.
Francisco Lopes Picado da Cunha Coutinho, nasceu em Santa Comba em 31.03.1826 e ali também faleceu, solteiro a 23.02.1882. Foi sucessor das casas de Arnóia, Travassinhos, das Quintas de Santa Comba e Quintã e deixou seu herdeiro universal, seu parente Carlos Maria da Cunha Coutinho, natural de Santa Marinha de Zêzere, nascido a 31.10.1835 e que veio a ser Moço-Fidalgo da Casa Real.
Em 08.02.1877 desposa Maria da Boa Nova de Carvalho e Azeredo Pinto de Melo e Faro, nascida na Casa da Soenga, em S. Martinho de Mouros em 11.11.1857, e deste casamento nasceram seis filhos.
O erudito historiador medievista Carlos Cândido de Melo e Faro da Cunha Coutinho, nascido em 29.03.1885 nas Casas Novas em Santa Marinha do Zêzere, Eng. Agrónomo e licenciado em Ciências Histórico-Naturais foi senhor da Casa e Quinta de Cabeceiras e casas e quintas de Arnóia, Travassinhos e Santa Comba.
Casou em Lisboa a 30.05.1918 com D. Maria Olímpia de Montalvão Sarmento Guedes de Andrade, nascida a 26.07.1894 em Guíde, Mirandela. Deste casamento chegaram à idade adulta quatro filhos.
Foi sucessora da Casa e Quinta de Travassinhos D. Maria Emília Guedes de Andrade da Cunha Coutinho, nascida em Lisboa a 05.10.1926.
Casou em 07.07.1949 com José Sebastião de Azevedo e Menezes, licenciado em Ciências Económicas e Financeiras, nascido a 31.08.1912 em Vila do Conde. Era filho do Dr. José Sebastião Cardoso de Menezes Pinheiro de Azevedo e Bourbon, bacharel formado em Direito, oriundo da Casa do Vinhal em Vila Nova de Famalicão, que foi Moço-Fidalgo da Casa Real e deputado, e de sua mulher D. Emília Maria de Castro Falcão Pinto Guedes Corte-Real, filha dos primeiros Conde de Fijô.
Do casamento tiveram dois filhos: José Sebastião da Cunha Coutinho de Azevedo e Menezes, nascido em Lisboa a 13.04.1950, licenciado em Finanças, casado com D. Maria José de Neves Branco e do casamento nasceram três filhos, Maria Carolina (22.11.1993), Maria Inês (05.07.1996) e Maria do Carmo (22.10.2002), e Emília Maria da Cunha Coutinho de Azevedo e Menezes, nascida em Lisboa a 24.07.1955, diplomada com o curso de Secretariado, casada com Sebastião Manuel Pinto Cardoso do Canto e Castro Albers.
No que concerne à Capela de Santo António, esta já não se encontra no seu local primitivo, tendo sido transferida, pedra a pedra, para onde se encontra actualmente.
A Casa de Travassinhos conservou o portal armoriado e a capela, que constituíam na época, dois atributos importantes do senhor, definidos de acordo com a legislação em uso.
O monumental brasão, obra de cantaria, de rara beleza nesta região minhota, evidência todas as técnicas escultóricas.
Como refere Anne de Stoop, na sua obra “Palácios e Casas Senhoriais do Minho”, temos duas volutas em alto-relevo que se desenvolvem “ao longo de dois metros e meio de altura, formando uma Cartela que debrua o brasão e harmonizando-se com o arco de volta inteira do vasto portão”.
Ao centro está o brasão trabalhado em baixo-relevo em que “o escudo partido com as armas dos Pimentas e as dos Ramos é rodeado por um lambrequim com volutas de feição naturalista”. “Não faltam nem o elmo, nem o virol onde assenta o timbre dos Pimentas, aqui um guerreiro pronto para o combate”.
Saliente-se ainda que nesta Casa de Travassinhos nasceram o célebre violinista Acácio Pimenta Ramos de Faria (11.05.1891 – 04.04.1959) que pertenceu à Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto e o Frei Hipólito Luís da Cunha Coutinho de Faria Magalhães (11.01.1778 – 30.01.1851) que foi Prior de Alcobaça e depois Procurador Geral da Ordem dos Cistercienses.