domingo, maio 23, 2010

Coronel Sousa e Castro

Rodrigo Manuel Lopes de Sousa e Castro nasceu em Janeiro de 1944 no lugar da Cruz de Baixo, freguesia de Arnoia, concelho de Celorico de Basto.
Frequentou o ensino primário, no lugar do Monte, freguesia de Britelo, onde concluiu a 4ª classe. Em seguida ingressou no Colégio de S. Gonçalo, em Amarante e já no Liceu D. Manuel II, no Porto, concluiu o terceiro ciclo. Com dezoito anos de idade e após ter concluído o 7º ano, concorreu à universidade mas acabou por frequentar o curso na Academia Militar.
Em 1966/67, cumpriu como alferes a primeira comissão de serviço em Angola. Em 1970/72, com o posto de capitão, realizou a segunda comissão de serviço em Moçambique.
Regressado à Metrópole, em 19973/74 integrou na clandestinidade a Comissão Coordenadora do Movimento dos Capitães, tendo participado em Março de 1974 na elaboração do programa político “O Movimento das Forças Armadas e a Nação” e na organização que desencadeou a operação militar de 25 de Abril.
Depois de ter orientado o levantamento das forças militares a Norte, na madrugada do dia 25 de Abril, já estava na Pontinha, em Lisboa, onde assistiu à chegada do deposto Presidente do Conselho, Marcelo Caetano, e à “tomada” do Posto de Comando pelo General António de Spínola, o primeiro Presidente da República pós-revolução.
De Março de 1975 até ao ano de 1982 pertenceu ao Conselho da Revolução. Também integrou o Grupo dos Nove, no verão quente de 1975, que contribuiu para travar os ímpetos esquerdistas da época. Quando ocorreu o 25 de Novembro do mesmo ano, desempenhava funções no Posto de Comando instalado no Palácio de Belém, sob o comando directo do Presidente da República, General Costa Gomes.
Em 1981 é promovido a major. Posteriormente, no âmbito do processo de reconstituição das carreiras dos militares envolvidos na Revolução dos Cravos, que permitira a transição democrática, foi promovido a coronel.
Por deliberação do Município de Celorico de Basto foi atribuído o seu nome a uma rua junto à Biblioteca Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.

Sousa e Castro publicou as suas memórias

O Coronel Sousa e Castro, é o autor do livro “Capitão de Abril, Capitão de Novembro” com a chancela da editora Guerra & Paz, integrado na colecção O Passado e o Presente, conta com o prefácio do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.
Ao longo do livro “Capitão de Abril, Capitão de Novembro” o coronel Sousa e Castro relata os episódios que rodearam a revolução de 1974 e o 25 de Novembro de 1975.
“ É um elucidativo testemunho de vida. De quem continuo a ver, como via há 35 anos: sonhador, ingénuo, simpático, lutador, desprendido, coração ao pé da boca, amigo dos seus amigos, independente de partidos e tentando compreendê-los e entender o seu papel”, escreve o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa no prefácio.
Este livro “é a narrativa do percurso pessoal de um jovem capitão que, por razões geracionais e outras fortuitas, se vê envolvido, ora como participante activo, ora como observador privilegiado, num conjunto de acontecimentos político-militares que marcaram a história de Portugal no último quartel do século XX”, considera o celoricense Sousa e Castro.

6 comentários:

António Gallobar disse...

Excelente, desconhecia que tivemos um capitão de abril, muitos parabens ao nosso Coronel

Grande Abraço

Manuel Jorge Castro Paula disse...

Aproveito este espaço, para enviar
um abraço enorme, ao Sr. Coronel Sousa e Castro, meu antigo capitão no CIAAC/Cascais.

Desejar-lhe as maiores felicidades.

Manuel Jorge Castro Paula

Barbosa disse...

Desde o 25 de Abril,admiro muito o dignissimo conterrâneo Sr.Sousa e Castro.

Como Celoricence,fiquei hoje mais engrandecido,ao ouvi-lo ser entrevistado na SIC Notícias.

A sua coragem,determinação,bom senso político e acerto nas conclusões sobre a situação actual do país,apontando-lhes os "cancer" e por outro lado a forma de saír da crise.

De facto o problema está no POVO Português,que sistemáticamente tem eleito pessoas mal preparadas e mentirosas.
Comungo plenamente da sua ideia relativa aos dois últimos 1º ministros e actual presidente da Répública.

Sr. Coronel,deixo-lhe aqui um abraço.

Manuel Paula disse...

No recente programa da RTP sobre "O 25 de Abril de 1974," o Coronel Sousa e Castro, soube ser forte com os mais fortes e solidário com os mais fracos. Sem dúvida, um balão de oxigénio libertado, numa conjuntura política governamental, em que se procura de forma incessante, voltar para trás: apostando na destruição de direitos e conquistas, mas acima de tudo “ferindo com alguma gravidade" a esperança, que nasceu na madrugada libertadora.

O valoroso militar de "Abril" (Coronel Sousa e Castro), teve uma intervenção, de onde emergiram a defesa de valores como os da ética, moral e justiça social (em défice no actual contexto, económico, social e político), valores caros a esse militar de excepção e incomensurável defensor das causas da democracia e da liberdade.

Um abraço ao Sr. Coronel Sousa e Castro

Manuel Paula

Manuel Paula disse...

Para o meu antigo capitão Sousa e Castro e sua distinta família, desejo um bom Natal e um ótimo ano de 2015.

Um abraço para o Senhor Coronel Sousa e Castro
Cordialmente
Manuel Paula

Manuel Paula disse...

Valeu a pena! A vida pela liberdade se necessário, era essa a mensagem, que o Movimento dos capitães, veiculava no seu pensamento individual e colectivo.

Tal como na Revolução de 1820, que foi precedida pela execução dos chamados “Mártires da Pátria” (que deu nome a uma praça da capital) e do general Gomes Freire de Andrade, em “25 de Abril de 1974”, os militares arriscaram de novo a sua vida pela liberdade.

Na aurora da "madrugada libertadora”, ficara para trás uma noite cinzenta, de décadas de opressão e obscurantismo e começava a dar-se lugar a uma manhã, que ia nascendo e emergindo diferente de outras manhãs. Era a liberdade a emergir, do ventre da pátria há tempos amordaçada…. As prisões! As prisões que encerravam aqueles que ousaram desafiar a ditadura, a abrirem-se: Caxias, Peniche e em todas as prisões, que acolhiam presos políticos. Eles iam saindo, gritando, Liberdade! Liberdade! Liberdade! Cá fora, do Algarve ao Minho, que emoção! Que emoção. - A liberdade tem destas coisas, um homem pensa que é forte, mas quando dá por si, as lágrimas emergem e chora, nem que seja silenciosamente- Não fosse a liberdade a dimensão maior, que os homens carregam e guardam bem lá no fundo da sua alma. É um sentimento elevadíssimo.

Sociologicamente, sou apenas mais um actor social, no conjunto de milhões de portugueses, mas se me for permitido esse privilégio, presto aqui a minha homenagem, ao “Movimento das Forças Armadas”, este dia é deles. Não vou aqui citar nomes, porque de certeza que ia omitir muitos homens extraordinários e de grande carácter. Mas aproveito este espaço, para felicitar o Coronel Sousa e Castro, enquanto símbolo bastante representativo, daquele conjunto de heróis, que na madrugada de “25 de Abril de 1974” avançaram com coragem e determinação, para a devolução da liberdade aos portugueses. A história registou….
Bem-haja! Valeu a pena….Uma sentida homenagem aos que já partiram, mas que continuam vivos no pensamento dos democratas e no coração daqueles, para quem a vida só faz sentido em liberdade... "Só vivem os que lutam".

Manuel Paula